Qual o impacto do medo na nossa saúde física e mental?
O medo ativa nosso sistema de alarme, que envolve a liberação de adrenalina e o cortisol | Divulgação AdobeStock

Qual o impacto do medo na nossa saúde física e mental?

Por Movimento Fique Saudável

Tempo de leitura: 3 minutos.

O medo ativa nosso sistema de alarme, que envolve a liberação de hormônios e outras substâncias do estresse, como a adrenalina e o cortisol. Ele desregula substâncias inflamatórias no organismo, acelera o estresse oxidativo e provoca mudanças em diversos sistemas, preparando o indivíduo para resposta luta ou fuga.

O psiquiatra e diretor da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS), Lucas Spanemberg, explica que o sistema cardiovascular é acionado, aumentando a frequência cardíaca (mediada pela adrenalina), o que aumenta a pressão arterial, a fim de mandar mais sangue para a musculatura esquelética.

Com isso, podemos sentir tremores nos braços e pernas, suor frio, palpitação e desconforto. Nossa pupila dilata para enxergarmos melhor, e isso pode provocar dificuldades de acomodação da visão. A respiração fica rápida e curta para corrermos da ameaça, mas por outro lado provoca um desequilíbrio ácido-básico no organismo, com sensação de mal estar e até de desmaio. “O medo intenso ou continuado pode provocar uma crise de ansiedade ou um estado de tensão extremamente desagradável e disfuncional”, elucida.

O medo que estamos vivenciando com a Covid-19 tem duas faces. Em uma delas, faz com que sigamos as orientações de saúde de modo consciente e razoável, senão acabaríamos saindo por aí sem qualquer cuidado. A outra face deste medo é quando ele é exagerado e pode nos congelar a ponto de não conseguirmos dar conta de nossa rotina dentro da quarentena em quadros de pânico, ansiedade e preocupações que nos ocupam a maior parte do dia.⠀

“O medo precisa nos impulsionar a nos cuidarmos, mas quando ele nos paralisa, não conseguimos fazer mais nada além de ver notícias, pensar na pandemia e limpar a casa à exaustão. Esse é o medo que faz mal para a saúde, que não protege”, comenta a médica psiquiatra Betina Mariante Cardoso.

Assim, a questão não é não ter medo, mas sim não ser dominado pelo medo. Identificar quando ele é disfuncional ou inadequado é o primeiro passo para lidar com o problema.

Efeitos do isolamento prolongado

O isolamento prolongado causa diversos efeitos adversos, que são exacerbados pelo medo da infecção pelo Covid-19, frustração, tédio, informações inadequadas e perdas financeiras. Em relação à saúde mental, a psiquiatra Mariana Pedrini Uebel explica que pode ocorrer o agravamento de sintomas ansiosos, psicossomáticos, depressivos e de estresse pós-traumático com aumento do cortisol, desequilíbrio da glicemia e diminuição da imunidade.

Outras consequências do isolamento são o sedentarismo, a compulsão e a piora dos hábitos alimentares, que levam à obesidade, um importante fator de risco para o quadro grave de infecção pelo Covid-19 e outras doenças.

“Devemos ficar atentos para não preencher essa sensação de vazio e de tédio de uma forma inadequada. Sabemos, através de pesquisas recentes, que o consumo de álcool, cigarro e outras drogas aumentou no período de isolamento prolongado”, diz Mariana. Além disso, a compulsão por comida, pornografia, jogos on-line e até mesmo compras impulsivas pela internet também é preocupante. Em tempos de medo e ansiedade, o principal ponto para ficarmos bem é ‘ficar amigo’ deste momento ao invés de lutar contra a oportunidade de desaceleração que o isolamento social nos impõe. A mudança passa, justamente, pela tomada de consciência disso e por lançarmos mão de ferramentas que vão nos ajudar a nos defender disso, como os bons hábitos que façam com que a gente fique mais saudável e ter uma visão positiva da vida.

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